A vida é feita de marcos, pontos de referência: o dia do nascimento, o primeiro dia de aula, a formatura, o casamento... O dia de hoje é um marco, mas um marco que não se refere apenas ao dia 15 de Dezembro. A formatura é uma conquista que levou anos... Ela aconteceu durante cada dia que estivemos estudando, nestes cerca de onze anos. Assim, é inevitável lembrar-se do passado, de todo esse tempo de “formatura”. Dos tempos de criança, quando a vida era muito diferente. O tempo era muito mais comprido do que é hoje. Cada ano durava três. Ou você acha que os relógios andam sempre na mesma velocidade? Na minha infância o tempo era rio da planície, vagaroso. Ignorávamos a existência das horas... Para que um relógio? A única preocupação era se o dia estaria de sol, para podermos brincar na areia ou nos escorregadores do jardim de infância... Bons tempos, aqueles. E eu que sempre disse que nunca falaria assim do passado. Sempre dissemos aos nossos pais que o passado é coisa que não importa. Agora não há quem não pense nele. Síndrome de Peter Pan? Talvez. Acho que todos têm um pouquinho de Peter Pan lá no fundo da alma. Mas o fato é que crescemos. As responsabilidades surgiram... Trabalhamos e provamos muito ao longo desses anos – até porque trabalhos e provas não faltaram.
Onze anos pode parecer um tempo curtíssimo para alguns. Mas para nós, que vivenciamos tudo isso – risadas, choros, vitórias e derrotas -, o tempo foi enorme, foi precioso. É difícil pensar que, a partir de agora, não estaremos mais juntos – pelo menos não com a mesma freqüência. Durante os períodos de prova, próximo ao fim do ano, dizíamos que não sentiríamos saudade da escola. É claro, estávamos cansados daquilo tudo. Mas, como sempre, o sábio tempo nos pregou uma peça.
E agora? O que fazer?
É, talvez não seja assim tão fácil...
Talvez assim seja melhor.
Talvez, cada um reme pra um lado...
Mas os mares que te cercam, talvez sejam iguais aos meus.
A gente segue em frente, e o mundo olha por nós...
Não importa o caminho que cada um vai seguir. De tudo o que fizemos, ficaram marcas. Marcas que nem o tempo poderá apagar. Podemos até acabar por esquecer da fórmula de Bháskara, das regras de acentuação ou das Leis de Newton. Mas há ensinamentos que ficarão conosco para toda a vida. A escola não só nos ensinou o conteúdo em si, mas despertou em nós sentimos como amizade, cooperação... Neste tempo todo, é impossível que não tenhamos aprendido a se preocupar com o nosso colega. O “eu” deixou de existir, dando lugar ao “nós”.
E eu reforço: o “nós” não deixa de existir hoje não. Ninguém chegou aqui sozinho, e ninguém sairá daqui, desse estágio, sozinho. Os elos que criamos jamais poderão ser rompidos. Talvez acabemos por perder o contato, sim. Mas ainda assim, o elo que criamos, lá dentro, será mantido. Ele é eterno.
Nosso tempo, agora, já não é rio de planície: agora é cachoeira, furioso. No dia 1º de Janeiro o Natal já se anuncia. E a tendência é de que a velocidade do nosso tempo aumente. Afinal, um corpo em movimento tem a tendência de continuar em movimento, não é mesmo? Mas haverá um dia, no meio dessa correria toda, em que poderemos mostrar nosso convite de formatura e dizer aos nossos novos amigos, ou quem sabe aos nossos filhos, que aqueles são nossos amigos de verdade. Pode parecer estranho dizer isso. Afinal, foram tantas brigas e desentendimentos. Mas quem disse que existe amizade perfeitinha? Amigo que é amigo discute, briga. Depois pede desculpas, faz as pazes. Aprende com os erros.
O dia de hoje é a introdução de nosso livro. Afinal, é hoje que o grande livro de nossas vidas começa. O resto ainda está para ser escrito! Qual o título? Quem serão os protagonistas dessa história? Ela será bem-sucedida? Isso depende de cada um de nós. Afinal, estamos apenas começando e a caneta está em nossas mãos! Somos nós os autores de nossas histórias.
Ao escrever nossas vidas, o importante é lembrar que só há sucesso se há batalha. Se estamos aqui é porque batalhamos.



